Marcelo Araujo - História, Idéias e Pensamentos


14 de maio de 1928 - Nasce, Che Guevara

Che Guevara 

Ernesto Che Guevara de la Serna, filho de Ernesto Guevara Lynch e Célia de la Serna, foi sem a  mínima de dúvida, o maior líder revolucionário de todos os tempos. Nascido na Argentina, mais precisamente na cidade de Rosário, no dia 14 de maio de 1928 e foi assassinado no dia 8 de outubro de 1967, no povoado boliviano de Higueras, aos 39 anos de idade.

Desde jovem, foi grande leitor de literatura (Baudelaire, Lorca, Antonio Machado, Pablo Neruda, tendo este ultimou o influenciado muito) a política e filosofia,teve uma infância típica de um menino de classe média, filho de uma família tradicional que aos poucos foi perdendo sua riqueza, em 4 de janeiro de 1952, laçou-se em uma aventura pela América Latina, com 23 anos e a dois anos de sua formatura como médico.

Quando ajnda era universitário, viajou por quase toda a América Latina, usando de moto a balsa, ao lado de seu amigo Alberto Granados. Para pagar as despesas de viagem, trabalharam como carregadores, lavadores de prato, marinheiros e médicos, o que já revelava sua coragem, espírito de independência e desprezo pelo perigo. Foi a partir dessa viagem, que começou a se sentir e se expressar como um latino-americano e não apenas como argentino, quando viu o desamparo, a exploração e a miséria como traço característico do nosso continente.

Em 1953, quando concluiu o doutorado em Medicina, rumou para a Venezuela, onde ficara seu amigo Granados, para trabalhar na pesquisa da lepra. Durante a viagem, quando se encontrava na Bolívia, conheceu o advogado argentino Ricardo Rojo (Autor do livro Meu Amigo Che), que estava refugiado naquele país, por sua atividade política antiperonista.

 

Rojo lhe fez um convite decisivo: "Para que queres ir a Venezuela, um país que só serve para ganhar dólares? Vem comigo a Guatemala, porque ali vai ter lugar uma verdadeira Revolução Social" . Che desembarcou na Guatemala a 24 de dezembro de 1953, acompanhado de Rojo e do Dr. Eduardo Garcia, também exilado argentino. Na Guatemala, o presidente Jacobo Arbenz Guzmán desenvolvia um governo Revolucionário do qual Che participou através do Instituto Nacional da Reforma Agrária.

 

Em 1954, um golpe militar organizado pelos Estados Unidos e dirigido pelo coronel Castillo Armas, derrubou o governo de Arbenz. Todas as tentativas de resistência fracassaram, inclusive a de Che, que tentou organizar um grupo mas nada conseguiu. Ernesto Guevara foi, então para o México onde chegou a 21 de setembro de 1954. Ali conheceu Hilda Gadea Acosta, que se tornou sua companheira e com quem teve uma filha, além de tê-lo influenciado decisivamente em sua formação política. Entretanto, na Guatemala, ele já havia se convencido da necessidade de lutar com armas nas mãos e passar à ofensiva. O Encontro com Fidel Castro. Nos primeiros tempos de México, Che desempenhou diversos trabalhos, como fotógrafo ambulante nas praças públicas e vendedor de livros da Editora Fundo de Cultura Econômico. Através de concurso, passou a trabalhar no maior hospital do país, como médico de doenças alérgicas. Foi nesse hospital que conheceu o paciente Raúl Castro. E em julho ou agosto de 1955, Raúl o leva ao apartamento de Maria Antônia, uma espécie de albergue a refugiados cubanos, para conhecer Fidel Castro Ruiz. É o próprio Che quem relata: "Conheci Fidel em uma daquelas noites mexicanas e recordo que nossa primeira discussão versou sobre a política internacional. Conversamos toda a noite e, ao amanhecer, já era médico de sua futura expedição".



Escrito por Marcelo Araujo às 18h21
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Che

Às duas horas da madrugada, do dia 25 de novembro de 1956, o iate Granma zarpou do porto mexicano de Tuxpán, com 82 jovens a bordo. "Valia à pena morrer numa praia estrangeira por um ideal puro", decidiu Che. Para Fidel, Guevara foi uma das figuras mais surpreendentes da façanha cubana, como também seu primeiro e grande cronista. "Um dos mais admirados, dos mais amados e, sem dúvida alguma, o mais extraordinário de nossos companheiros de Revolução". E, ironicamente, Che havia sido declarado inapto para o serviço militar pelo Exército argentino. Durante a Revolução Cubana, onde os Revolucionários desenvolveram uma das lutas mais dignas que se conhece, Che cuidava dos inimigos, com a mesma dedicação. Em plena luta, na Sierra Maestra, criou o jornal El Cubano Libre, para transmitir informações da guerrilha e as idéias que a animava. Quando a Revolução triunfou, Fidel deu a Che cargos de grande responsabilidade, como a Presidência do Banco Nacional, para estabilizar a grave situação das dívidas contraídas pelo ditador Fulgêncio Batista; posteriormente assumiu o Ministério das Indústrias e estabeleceu salários e condições dignas de trabalho, conseguindo aumentar a produtividade das fábricas e a satisfação dos operários. Mais tarde, recebeu a incumbência de coordenar e incrementar as indústrias recém-nacionalizadas, num quadro absolutamente adverso, quando a pequena nação era futisgada e boicotada pelo imperialismo americano. Em todas as funções que desempenhou, Che sempre colocou o homem em primeiro plano, tudo era decidido a partir do social.

 

Ele sempre procurava que o conjunto da sociedade agisse sobre cada um de seus membros e que, ao mesmo tempo, o indivíduo contribuísse para a construção da consciência social. Sobre a construção da economia cubana, Che manteve importantes debates com grandes economistas, como Bettelheim, Mora e Fernández Font. Uma de suas primeiras atitudes, ao assumir sua parcela de poder, foi proibir investigações e perseguições ideológicas. As investigações somente deveriam ser realizadas quando o cidadão manifestasse seu desejo de ingressar no Partido. Grande escritor, Che Guevara era um repórter do seu tempo; em seus livros, mostra a saga dos guerrilheiros cubanos e discute teorias políticas, econômicas e sociais com a maior objetividade possível, para que pudesse ser entendido por qualquer de seus companheiros ou trabalhador.

 

Representando o governo cubano, Che viajou por diversos países do Terceiro Mundo, constatando que os problemas dos subdesenvolvidos eram semelhantes na África, Ásia e América Latina: a espoliação imperialista dos países desenvolvidos, sobretudo dos Estados Unidos. No Brasil, Che esteve em 1961, sendo condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul pelo Presidente Jânio Quadros. Após a constituição do Governo Revolucionário, o povo cubano achava que Che iria deixar a Ilha para lutar em outros países. Mas a Revolução necessitava de sua contribuição e ele ficou, sendo um exemplo de trabalhador abnegado, herói da reconstrução. Seis anos depois, quando a revolução já havia passado pelo seu batismo de fogo, quando as fábricas e os campos já produziam regularmente, Che se foi. Escolheu a Bolívia, uma das mais sofridas e espoliadas de nossas pátrias.

 

 



Escrito por Marcelo Araujo às 18h13
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Che

Embora sendo o segundo homem mais poderoso de Cuba, em 1965, abandonou o poder e a segurança de uma Revolução vitoriosa e partiu para o risco de novas guerrilhas, tendo lutado no Congo Belga de agosto de 1965 a março de 1966, ao lado dos guerrilheiros de Pierre Mulele e Gastón Soumilat, contra os mercenários brancos de Moses Chambe. Num Discurso na ONU, a 11 de dezembro de 1964, Guevara dizia: "Nasci na Argentina, isso não é segredo para ninguém. Sou cubano e sou argentino e, se não ofenderem as ilustríssimas senhorias da América Latina, sinto-me tão patriota da América Latina, de qualquer país da América Latina, como o maior deles, e o momento em que for necessário, estarei disposto a entregar a minha vida pela libertação de qualquer um dos países da América Latina, sem pedir nada a ninguém..." Ao partir para a Bolívia, escreve uma carta de despedida a seus filhos, em que diz: "Seu pai é um homem que age como pensa e, é claro, foi leal com suas convicções..." Tinha 5 filhos, um do seu casamento com Hilda Gadea Acosta e 4 com Aleida March de la Torre, professora e sua companheira na Sierra de Escambray, com quem se casou pela segunda vez. Aos pais, escreveu: "Muitos me julgarão aventureiro, e o sou; só que de um tipo diferente, dos que arriscam a pele para defender suas verdades".

 

E para seu companheiro Fidel Castro, escreveu, ao se despedir: "Se me chegar a hora definitiva sob outros céus, meu último pensamento será para este povo e especialmente para ti. Agradeço aquilo que me ensinaste e teu exemplo, ao qual tentarei ser fiel até às últimas conseqüências dos meus atos." Bolívia. O último combate. Em novembro de 1966, Che chegou a La Paz, com documentos falsos, com o nome de Adolfo Mena, Enviado Especial da OEA, para realizar um estudo sobre as Relações Econômicas e Sociais vigentes no Campo Boliviano. A credencial foi fornecida pela Direção Nacional de Informações da Presidência da República. Nessa oportunidade, Che se apresentava bastante calvo e sem barba. Seu roteiro de viagem até La Paz incluiu Praga, Frankfurt, São Paulo e Mato Grosso.

 

O movimento guerrilheiro da Bolívia recebeu ajuda financeira, entre outros, de Cuba, Sartre e Bertrand Russel, que recolheram dinheiro nos meios intelectuais. Após onze meses de luta e uma série de peripécies, as guerrilhas foram dizimadas pelos "Boinas Verdes Quíchuas", tropa de elite do exército boliviano, treinada pelos Estados Unidos especialmente para esse fim. Che foi ferido na tarde do dia 7 de outubro de 1967, à 13:30, aproximadamente. Atingido em várias partes do corpo, orientou seus captores na colocação de torniquetes para estancar as hemorragias. Em seguida, foi levado para Higueras, lugarejo a 12 km do estreito do Rio Yuro, onde aconteceu sua última batalha.

No dia 9 de outubro de 1967 Che foi capturado e após 24 horas foi assassinado covardemente por oficiais Bolivianos (patrocinados pela CIA).

Ernesto Che Guevara



Escrito por Marcelo Araujo às 17h21
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Morre Álvaro Cunhal, histórico dirigente comunista português

Álvaro Cunhal

Faleceu nesta madrugada, em Lisboa, aos 91 anos, o português Álvaro Cunhal, um dos mais destacados dirigentes comunistas de toda a Europa. Em nota, o secretariado do PCP registra que "Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida ao ideal e projeto comunista, à causa da classe operária e dos trabalhadores, da solidariedade internacionalista, a um compromisso e dedicação sem limites aos interesses dos trabalhadores e do povo português, da soberania e independência de Portugal."

De Lisboa, o secretariado do PCP enviou a nota abaixo, na qual comunica o falecimento do camarada Cunhal e registra os principais momentos de sua heróica biografia:



Escrito por Marcelo Koba de Araujo às 20h20
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Comunicado do Comité Central do Partido Comunista Português

Com o falecimento de Álvaro Cunhal o povo português perde um dos seus mais conseqüentes e abnegados lutadoresCom o falecimento de Álvaro Cunhal o povo português perde um dos seus mais conseqüentes e abnegados lutadores 

O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português, com profunda mágoa e emoção, informa os militantes comunistas, os trabalhadores e o povo português que nesta madrugada, aos 91 anos, faleceu Álvaro Cunhal.

O Secretariado do Comité Central do PCP envia à família as suas sentidas condolências.

Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida ao ideal e projecto comunista, à causa da classe operária e dos trabalhadores, da solidariedade internacionalista, a um compromisso e dedicação sem limites aos interesses dos trabalhadores e do povo português, da soberania e independência de Portugal.

Intervindo com o seu Partido de sempre – o PCP – ao longo de mais de 74 anos de acção revolucionária, assumiu um papel ímpar na história portuguesa do Século XX, na resistência anti-fascista, pela liberdade e a democracia, nas transformações revolucionárias de Abril e em sua defesa, por uma sociedade livre da exploração e da opressão, a sociedade socialista.

Sujeito às maiores provações, a mais de doze anos de prisão, a bárbaras torturas, às duras condições da vida clandestina, revelou sempre as suas qualidades excepcionais de militante e ser humano.

Nasceu em Coimbra em 1913 e iniciou a sua actividade revolucionária quando estudante na Faculdade de Direito de Lisboa. Participou no movimento associativo e foi eleito em 1934 como o representante dos estudantes no Senado Universitário. Foi militante da Federação da Juventude Comunista Portuguesa (FJCP) sendo eleito seu Secretário-Geral em 1935, ano em que passou à clandestinidade e participou, em Moscovo, no IV Congresso da Internacional Juvenil Comunista. Membro do Partido Comunista Português (PCP) desde 1931.

Preso em 1937 e 1940 e submetido a torturas, voltou imediatamente à luta logo que libertado depois de alguns meses de prisão.

Participou na reorganização do PCP, em 1940/41. Vivendo de novo na clandestinidade, foi membro do Secretariado de 1942 a 1949.

Preso de novo nesse ano fez no Tribunal fascista uma severa acusação à ditadura fascista e a defesa da política do Partido. Condenado, veio a permanecer 11 anos seguidos nas cadeias fascistas, quase 8 anos dos quais em completo isolamento. Em 3 de Janeiro de 1960 evadiu-se da prisão-fortaleza de Peniche junto com um grupo de destacados militantes comunistas. De novo chamado ao Secretariado do Comité Central, foi eleito Secretário-Geral do PCP, em 1961.

Desde então, participou em inúmeros congressos e encontros com partidos comunistas e outras forças revolucionárias e em conferências internacionais.

Depois do derrubamento da ditadura fascista em 25 de Abril de 1974, foi Ministro sem Pasta do 1º, 2º, 3º e 4º governos provisórios e eleito deputado à Assembleia Constituinte em 1975 e à Assembleia da República em 1976, 1979, 1980, 1983, 1985, 1987. Foi membro do Conselho de Estado.

Na aplicação das decisões do XIV Congresso do PCP (em 1992) relativas à renovação e à nova estrutura de direcção deixou de ser Secretário-Geral do PCP e foi eleito pelo Comité Central Presidente do Conselho Nacional do Partido.

Em Dezembro de 1996 (no XV Congresso do PCP) extinto o Conselho Nacional do PCP e o cargo de Presidente, foi reeleito membro do Comité Central, o que sucedeu também nos XVI e XVII Congressos, respectivamente em 2000 e 2004.

Autor de vasta obra publicada quer no plano político e ideológico, quer no plano literário, nomeadamente com o pseudónimo de “Manuel Tiago”, quer ainda no plano das artes plásticas.

Álvaro Cunhal faleceu, os trabalhadores e o povo português perdem um dos seus mais consequentes e abnegados lutadores, mas o seu exemplo de convicção e combatividade constituem um apelo à redobrada intervenção dos comunistas e de todos aqueles que têm como objectivo a transformação progressista da sociedade.

A melhor homenagem que podemos prestar a Álvaro Cunhal é prosseguir a luta que travou até aos últimos dias de vida, sempre com confiança no futuro, pelos interesses e direitos dos trabalhadores, por uma sociedade de liberdade e democracia, pelo bem do nosso povo e da nossa pátria, pelo seu partido como partido da classe operária, dos trabalhadores, de todos os explorados e ofendidos, por uma sociedade socialista.

Posteriormente serão dadas informações sobre a organização do funeral.

Lisboa, 13 de Junho de 2005
O Secretariado do Comité Central do Partido Comunista Português

Fonte: www.vermelho.org.br

 



Escrito por Marcelo Koba de Araujo às 20h01
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